Hoje não é dia das mentiras.

2009-04-01
É, tão somente, dia de celebrar a vida e a obra do fundador da Companhia Teatral do Chiado, Mário Viegas.

"1 de Abril de 1996. Mário Viegas morreu. Era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Não me refiro à implacável doença que o matou, mas a um sentimento dramático da existência que só os distraídos e superficiais não eram capazes de perceber [...]. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto."

José Saramago
(in Cadernos de Lanzarote)


No seu "Palavras Ditas" chegou a conversar com Fernando Pessoa. E é para matar um pouco a saudade que vos deixamos com esse vídeo.

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A Cena do Ódio (II)

2008-08-13

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A Cena do Ódio (I)

2008-07-23

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A MINHA QUERIDA PÁTRIA de Mário-Henrique Letria

2008-07-02

[clique no play para ouvir (por Mário Viegas)]

a pátria
os camões
os aviões
e os gagos-coutinhos
coitadinhos

a pátria
e os mesmos
aldrabões
recém-chegados
à democracia social
era fatal

a pátria
novos camões
na governança
liderando
as mesmas
confusões
continuando
mesmo assim
as velhas traduções
de mau latim
da Eneida

enfim
sabem que mais?
pois
vou da peida

Mário-Henrique Leiria

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Carta de Miguel Rovisco para Mário Viegas

2008-06-23
Lisboa, 21 de Julho de 1986

Mário,

Como é sabido, por vaidade todo o autor escreve as suas obras para que estas sejam lidas; no que respeita a cartas, então é meio mundo a escrevê-las para meio mundo as ler. Há, contudo, honrosas excepções: tal como a minha parente sentimental para o seu cavaleiro Chamilly, também eu neste momento posso afirmar que escrevo para mim próprio. A modéstia! Primeiro, porque o meu pessimismo patriótico não crê que uma carta deitada num marco dos correios em Lisboa consiga alguma vez atingir o Porto; segundo, porque o meu bom amigo respeita-se o suficiente para compreender que se esta epístola começa mal há-de acabar ainda pior, e assim sendo terá a delicadeza de a pôr de lado – queime-a – sem passar além deste parágrafo. Bom, agora que estou positivamente certo de que escrevo “pour moi même”, abalanço-me com toda a liberdade. O narcisista!

... Mas há-os aos pontapés, a eles – só que eu sou-o e não me exibo, ao passo que eles são-no e se exibem por todos os lados e todos os lagos. Os narcisos, claro! Como lhe informei no nosso único encontro, tenho vindo a fazer parte do júri do Festival de Teatro Amador de Lisboa 86 – ninguém me avisou a tempo, a mim que nada percebo destas coisas, embora o devessem ter feito. Aí os membros do júri! Ai as pessoas conhecidas dos membros do júri! Ai ainda as pessoas que os membros do júri não conhecem mas que se dão a conhecer... – juri-lhe (leia-se: “juro-lhe”), ó Mário... e tu, ó pá, que me não avisaste! Se o teatro é isto (refiro-me a ele como um todo, não apenas ao amador), que faço eu aqui metido?

Em teatro odeio os bons actores – deixemos de lado os que se julgam bons -, para admirar incondicionalmente os saltimbancos. O que é necessário: um teatro de estrada e de talento que substitua o actual teatro de conservatório e de subsídios. O teatro converteu-se numa espécie de religião da qual, à abundância de pregadores, Deus achou por bem ausentar-se – aquilo já nada era a ver com ele. A pioria, contudo, está nas “tournées” pedantes: tudo torna ao mesmo sítio. Ao mesmo igual. E diz-se que o povo ficou mais culto. O povo, claro, não deu por isso (o-festival-de-teatro-em-setubal, só de pensar nisso me arrepio...). Porque o teatro, salta aos olhos, não é para o povo. Faz-se teatro, claríssimo, com o único objectivo do subsídio. O objectivo é que o ministério se agrade de nós. Que o subsídio, ó actores, sempre subsista! (Depois desta minha curta experiência pelos palcos – horrível, pelos bastidores -, eis o meu grito de guerra: “Abaixo o teatro, vivam os ciganos!”)

Quanto ao que eu tenho feito dia a dia, bem pouca coisa! No meu emprego, como estamos entrados nos últimos seis meses do ano, preencho com paciência bíblica milhares de fichas com as duas palavrinhas que me valem os 25.000$00 mensais: “2º Semestre”. (Entre nós, com manha chulista abrevio a palavra “semestre” para “2º semen” – e é vê-las, as coleguinhas da função pública a abanarem-se do calor com as fichas cheias disso! A gente por cá diverte-se assim.) No outro dia, à tardinha, registou-se a catástrofe atómica da televisão ter dado o berro para depois nem mais um pio, precisamente – há maldade nestas coincidências do universo – no início da telenovela. Enquanto a minha mãe se disparava para a casa de banho, finalmente tomada a consciência da precária situação da mulher na sociedade deste século – “que eu até vomito o jantar, que não sei o que hei-de fazer à vida” -, eu ofereci-me um passeio pelo Jardim da Estrela. Eram nove da noite, mas ainda entardecia: eu de gravata e descalço – pois é verdade que me

descalcei. Como foi bom! Como me passou a neura, por sentir ainda o morno da terra na planta dos pés. Lamentavelmente, vi-me forçado a escrever mais um poema... – já não é inspiração aquilo, é mania! Mas o verde eterno das árvores, isso é sempre agradável. A propósito, faço tenções de ter um busto no Nacional, apesar de tudo, e uma estátua a corpo inteiro no Jardim da Estrela, perto do coreto, para alívio da perna alçada de qualquer rafeiro. Evidentemente – porque se apressa você em tirar conclusões? – isto sucederá uns trinta anos depois da minha morte - e, também é de evidência, cantar-se-á um Te Deum. Este sim, merecido.

Não lhe pergunto como vão as coisas aí pelo T.E.P., porque cá ou lá a trampa deve ser a mesma. Quanto a mim, que ainda não sou obra de arte, hesito se deverei ou não pôr de lado a escrita dramática. É certo que, desde o nosso encontro primaveril, escrevi mais uma peça e já tenho ideias – e título – ara a seguinte. Falta-me, todavia, o principal: a vontade de ser útil à sociedade. (Não, não... se o me amigo lhes ler esta carta daqui a algumas décadas, eles desistirão do urinol canino e dos cânticos celestes.) No que toca ao teatro, estou tentado a sacudir-me.

Um abraço de quem se não esquece da sua simpatia para comigo (dos elefantes guardo a memória e a tromba – “hélas” para o marfim...),

Miguel Rovisco

PS – Ouça: se teve o mau gosto de ler a carta até a final, não tenha agora o gosto ainda mais reprovável de entrar imediatamente em contacto comigo. Seria ridículo! Acabei de lhe confessar que, pela minha parte, também simpatizo com a sua pessoa – aliás, você e a jovem Dra. Manuela Pinto Barbosa, do M. da Cultura, foram o único oásis para a minha tromba... Escreva-me antes daqui a um mês ou dois. Melhor: pelo natal, se se lembrar, mande-me um cartão de boas festas.

[À mão, escrito de lado, pela letra do Mário Viegas, o seguinte]

Estas cartas contam tudo e são completamente inéditas e geniais. Morreu aliás, com uma carta para mim no bolso. Foi uma paixão. É um CRIME não se publicar a sua obra. Um dos maiores choques que sofri até hoje.

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Biografia de Mário Viegas (por ele próprio)

2008-06-17
ANTÓNIO MÁRIO LOPES PEREIRA VIEGAS

Nasceu em Santarém em 10 de Novembro de 1948, às 23.30h, meia-Hora antes do Dia de S. Martinho.

É do signo Escorpião no Hemisfério Ocidental e do Rato no Hemisfério Oriental.

Trineto, por via paterna, do grande Actor Cómico do século XIX Francisco Leoni, Bisneto de Francisco José Pereira, Republicano, Deputado e Senador por Santarém na Primeira Assembleia da Primeira República, sendo saneado de Director Geral do Congresso no 28 de Maio.
Neto e filho de Republicanos e Anti-Fascistas, duma família paterna toda ligada ao ramo Farmacêutico.

Neto por via materna, de um dos fundadores da Amadora, António Cardoso Lopes e sobrinho, do famoso hoquista Álvaro Lopes (8 vezes campeão do mundo), e Tiotónio (um dos pioneiros da Banda-Desenhada em Portugal e criador do semanário “O Mosquito”), e de Augusto Lopes (inventor e criador do sistema do Cinema foto-sonoro em Portugal), sendo a sua Mãe licenciada em Grego Clássico, Latim. Viveu a sua infância e adolescência em Santarém, onde estudou no Liceu Sá da Bandeira e onde se estreia como Actor e Recitador amador com o Coro de Amadores de Música, dirigido pelo Maestro Fernando Lopes-Graça, com 16 anos, em substituição da ex-Actriz e Declamadora Maria Barroso.
Fica logo com a sua primeira ficha na P.I.D.E.

Não tem pre-conceitos sexuais. Sendo scalabitano, gosta de touros, cavalos, mulheres, homens, vinho branco ou tinto, sabe dançar o fandango e já pegou uma vaca em 1967.

Frequentou a Fac. de Letras de Lisboa em 1966/67 e 1967/68 e a Fac. de Letras do Porto em 1968/69, onde termina o 3º ano do Curso Superior de História. Faz parte da Crise Académica de 1969, como Recitador e Agitador no Porto e em Coimbra.

Nunca esteve filiado em nenhum Partido ou Clube Desportivo, nem nunca foi convidado para tal.
Não tem nenhuma ficha na P.S.P. ou na Polícia Judiciária por actividades ilícitas e/ou imorais.

É solteiro e não tenciona casar oficialmente.

É-lhe retirado o Adiamento Militar, por actividades políticas e é proibido de actuar como Actor e Recitador quer públicamente, na antiga Emissora Nacional e na R.T.P.
Os seus discos de Poesia são proibidos de passar na Rádio, até ao 25 de Abril de 1974.

Cumpre o Serviço Militar Obrigatório como Oficial entre Outubro de 1971 e Outubro de 1974, tendo a sua Caderneta Militar os mais altos louvores pela disciplina militar.

É-lhe dada a especialidade e o curso de Acção Psicológica e Propaganda do Exército (A.P.S.I.C.), sendo re-classificado quando estagiava na 2ª Repartição do Estado-Maior do Exército em 1972. É-lhe dado um cargo de Instrutor de Combustíveis e Lubrificantes no Quartel do Campo Grande (E.P.A.N.), de onde é afastado no dia 22 de Abril de 1974.

Assiste e participa desde as 11H00 da manhã, ao golpe-militar do 25 de Abril, no Largo do Carmo. Às 19H00 na Rua António Maria Cardoso e participa na primeira tentativa Popular de assalto à sede da P.I.D.E.-D.G.S.

Faz parte da Extinção da P.I.D.E.-D.G.S. e Legião Portuguesa desde o início de Maio de 1974 até Outubro de 1974, como Oficial-Miliciano do M.F.A., de onde é afastado.

Após proibição em Conselho de Ministros, da peça “EVA PERÓN”, de Copi, (de que era protagonista e que seria a primeira encenação de Filipe La Féria), em Janeiro de 1975, sai de Portugal entre inícios de Maio de 1975 até finais de Setembro de 1975, indo viver para Copenhaga, Dinamarca, desiludido com a situação política do País.

Como Independente, participou “de borla” em algumas campanhas e espectáculos ao vivo e na televisão do P.C.P. (1977), do P.S.R. e da U.D.P., até 1994. Está arrependidíssimo! Abre uma excepção à U.D.P.

Apoiou públicamente a candidatura à Presidência da República do Engº Carlos Marques nas últimas eleições Presidenciais.

Foi leitor durante 2 anos (1987, 1988), dos comunicados do dia 25 de Abril de Otelo Saraiva de Carvalho, quando este esteve preso em Caxias (caso FP25). Não ganhou nada com isso!
Foi alcoólico Público e Anónimo, encontrando-se completamente recuperado.

É Fumador activo e passivo, careca e práticamente cego do olho esquerdo.

Estreia-se como Actor profissional em 16 de Fevereiro de 1968 no Teatro Experimental de Cascais. Trabalhou diariamente durante 30 anos no Teatro, Cinema, Disco, Rádio e Televisão como Actor, Empresário, Encenador e Cenógrafo, com o nome artístico de Mário Viegas. Ao contracenar com Marcello Mastroianni em 1994 descobriu que não conseguiria ser o Maior Actor de Portugal, da Europa e do Mundo, de Teatro e Cinema; o mais popular Cómico do País e com maior unanimidade; ter um lugar em Hollywood; representar em francês, espanhol, inglês ou japonês. Desiludido e revoltado decide encetar a carreira mais fácil, menos efémera e com reforma assegurada: PRESIDENTE DA REPÚBLICA de Portugal, Açores, Madeira, Macau e Timor-Leste.

As Sondagens dão-lhe 93,4% de intenção de voto.


Não sabe o que quer para o País, mas o País sabe o que quer dele!
Não quer ser o Presidente de todos os Portugueses!
Tem como Lemas da campanha a frase de Eduardo de Filippo: “Os Actores vivem a sério no Palco, o que os outros na Vida representam mal”; e “Nesta Pátria onde a Terra acaba e o Mário começa!”.

Slogans da campanha:


“VIEGAS AMIGO ! O MÁRIO ESTÁ CONTIGO !!”
“MÁRIO SÓ HÁ UM ! O VIEGAS E MAIS NENHUM !”
“O MÁRIO QUE SE LIXE ! O VIEGAS É QUE É FIXE !”

Foi agraciado por sua Exª o actual Presidente da República, o Sr. Dr. Mário Soares com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, sendo pois, Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Mário Viegas

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