Notícias (CTC - TEMV)

2005-06-28


Estreia, amanhã, dia 29 de Junho


Espectáculo cómico com a duração de uma hora composto por vários sketchs de autoria de Paulo Duarte Ribeiro e Sofia Duarte Silva, também recheado por apontamentos musicais cantados ao vivo pelos actores.

As histórias apresentadas são, quase todas, situações caricatas nas quais se faz a apresentação dos respectivos personagens.

Ele e ela. Ela e ele. Ele e ele. Ela e ela. Eles e elas. Elas e eles!

Não apresentamos, no entanto, nenhuma história com um fim conclusivo porque nos demos conta que aquilo que nos interessava explorar seriam momentos esporádicos e efémeros que acontecem quotidianamente e são, por si só, cómicos e únicos!

Interpretações de Bruno Simões, Cátia Ribeiro, Paulo Duarte Ribeiro e Sofia Duarte Silva

Em cena no Teatro-Estúdio Mário Viegas às quartas às 22h até ao final de Julho
 
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Um Oásis no Chiado - texto de Gustavo Rubim no programa do espectáculo Paris É Uma Miragem

2005-06-20
UM OÁSIS NO CHIADO

Parece que há gente incomodada com a insistência da Companhia Teatral do Chiado na montagem de espectáculos cómicos. A peça de John Godber ― Paris É uma Miragem ― é uma comédia que a CTC apresenta no ano do 15º aniversário da sua fundação por Mário Viegas e Juvenal Garcês. A título pessoal, quero, antes de mais, felicitar a CTC pelos seus 15 anos de existência: parabéns e obrigado pela oportunidade que me deram de colaborar convosco e, sobretudo, de ver na vossa Companhia o melhor teatro, o teatro como eu gosto dele, ao longo desses 15 anos. Quero também tentar explicar, em poucas palavras, o péssimo sinal que constitui aquele incómodo português com as comédias da CTC.
Não tenho visto nada mais cínico, em anos recentes, do que a invocação da memória de Mário Viegas para condenar o trabalho e a estética da CTC após a morte do grande actor e encenador, em 1996. Sem excepção, quem invoca a memória de Mário Viegas para atacar a CTC dirigida por Juvenal Garcês são pessoas que não conheceram o Mário, que nunca aderiram ao seu estilo e, muitas vezes, que fazem ou apreciam em teatro coisas que ao Mário eram profundamente repugnantes. Trato-o assim pelo nome de baptismo, porque o conheci pessoalmente e não raras vezes o ouvi lamentar o destino do teatro português, que muito tempo depois do 25 de Abril continuava a ser (como ainda continua em grande parte, na minha opinião) um teatro submisso à ideologia, com ridículas pretensões didácticas ou, o que não é melhor, falsamente vanguardista e esteticista até ao enjoo e ao vazio total. Nada disso lhe agradava, nem de longe.
Como essas, uma convicção que o Mário deixou escrita (e todos podem ler) foi a de que a comédia não é um género menor. Parece ridículo ter de lembrar isto, quando foi na CTC que o Mário fez esse prodígio de comédia política chamado Europa Não! Portugal Nunca!!; quando foi com O Regresso de Bucha e Estica que lançou as raízes da CTC; quando alguns dos maiores êxitos da CTC, no tempo em que o Mário a dirigia, foram as suas encenações do teatro de Eduardo de Filippo, uma das quais ― A Grande Magia ― veio a ser a penúltima que assinou (a última, como é sabido, foi Uma Comédia às Escuras de Peter Shaffer). Por tudo isto e, mais ainda, porque o Mário era um incondicional admirador de Beckett, é que a única explicação razoável para o ataque ao gosto da CTC pela comédia só pode ser esta: através da actual CTC, os velhos inimigos de Mário Viegas continuam a depreciá-lo e a desdenhá-lo, amesquinhando a herança daquela que é, para mim, a maior figura do teatro português contemporâneo.
Há documentos oficiais desse desprezo nada inocente. Uma pessoa com responsabilidades na crítica e no ensino teatrais escreveu, há poucos anos, um balanço do teatro pós-25 de Abril: o nome de Mário Viegas mal aparecia nesse triste atestado de má-fé que destilava veneno em cada linha. Também há explicação para isto: o Mário nunca escondeu o seu apego a uma tradição de teatro popular que, paradoxal e estupidamente, os ideólogos da estética pós-revolucionária tudo fizeram para aniquilar. Com inteira justiça e toda a lucidez, Beckett e Shakespeare eram, aos olhos do Mário, teatro popular (recentemente, em Londres, os Happy Days esgotaram lotações com meses de antecedência). Tal como o recordo, o Mário nunca cometeu o grosseiro equívoco artístico destes 30 anos de teatro em liberdade: colocar Brecht acima de Shakespeare.
O Mário não tinha medo do sucesso nem do público. E nem uma coisa nem outra lhe bloqueavam a criatividade e o sentido poético. O Juvenal, o Simão, o João Nuno, o Vasco Letria e todos quantos têm mantido a CTC, desde 1990 até hoje, conservaram, intensificaram e transmitiram essa lição: a lição do teatro que só responde por si mesmo, do teatro sem limites, do teatro que ama todas as suas possibilidades sem exclusão de nenhuma. Quando tanta gente, sobretudo em lugares de poder político ou cultural, anseia e actua, do modo mais descarado e mais sinistro, pelo fim da CTC, alegra-me especialmente que a CTC responda com uma gargalhada.
Para o Zé e para a Guida, Paris é uma miragem. Mas para a Sofia Duarte Silva e para o Manuel Mendes, a pequena sala do Teatro-Estúdio Mário Viegas oferece-se a todos como um oásis no Chiado. Para os dois, muita merda!
À nossa CTC, ergo a taça e brindo a uma longa vida!

Gustavo Rubim
 
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«Sobre o lado esquerdo» (XXVII)

2005-06-19
OS ANIMAIS

Vejo ao longe os meus dóceis animais.
São altos e as suas crinas ardem.
Correm à procura de uma fonte,
a púrpura farejam entre juncos quebrados.

A própria sombra bebem devagar.
De vez em quando erguem a cabeça.
Olham de perfil, quase felizes
de ser tão leve o ar.

Encostam o focinho perto dos flancos,
onde a erva do corpo é mais confusa,
e como quem se aquece ao sol
respiram lentamente, apaziguados.

Eugénio de Andrande
 
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«Sobre o lado esquerdo» (XXVI)

O VERÃO

Afaga o ardor
da palha
antes da manhã.

Prepara a semente
do sol.

Respira devagar,
grão a grão,

o azul,

o frio,
implacável,
azul do verão.

Arranca à terra escura
o difícil silêncio
sem pátria nem figura:

não tens outra flor,
não tens outro irmão.

Eugénio de Andrande
 
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Notícias (CTC)

2005-06-18
PARIS É UMA MIRAGEM
de John Godber


fotografias de Luís Rocha


PARIS É UMA MIRAGEM, de John Godber é o novo espectáculo da Companhia Teatral do Chiado, em cena deste dia 16 de Junho, no Teatro-Estúdio Mário Viegas, às quintas, sextas e sábados às 21h. Uma comédia com Manuel Mendes e Sofia Duarte Silva, encenada por Juvenal Garcês.


Espectáculo a não perder!!! Marque já o seu bilhete!!!
 
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Historial da CTC

2005-06-16
PRODUÇÕES DA CTC

1989
O Regresso de Bucha e Estica, de Stan Laurel

1990
A Birra Do Morto, de Vicente Sanches

1991
Mário Gin-Tónico Volta a Atacar, de Mário-Henrique Leiria
Três Actos de Becket (A Última Bandana de Krapp; Balanceada; Fôlego), de Samuel Beckett
O Cantinho da Maria, de Maria Vieira
Totó, de António de Curtis

1992
A Arte da Comédia, de Eduardo de Filippo
Um Suícidio Colectivo, de Peppino de Filippo
Nápoles Milionária, de Eduardo de Filippo

1993
Enquanto Se Está à Espera de Godot, de Samuel Beckett
A Última Bandana de Krapp, de Samuel Beckett

1994
A Grande Magia, de Eduardo de Filippo
Europa Não! Portugal Nunca!, de Mário Viegas
Ensaio de um Sonho, de Ingmar Bergman e August Strinberg

1995
Uma Comédia Às Escuras, de Peter Shaffer
Duas Comédias Sem Palavras (Vai e Vem e Acto sem Palavras II), de Samuel Beckett

1996
Dá Raiva Olhar Para Trás, de John Osborne
As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos, de Daniel Singer, Adam Long, Jess Borgeson

1997
Ensaio Geral (Acrobatas e Linha), de Israel Horovitz

1998
O Pirata que não sabia ler, de José Jorge Letria
Hedda Gabler, de Henrik Ibsen
Gases (Azoto, Defunto e Pimenta de Cayena), de René de Obaldia
Fora de Jogo (Pêra Doce e Jogo da Macaca), de Israel Horovitz

1999
A Menina Júlia..., de August Strinberg

2000
Um Ouvido Só Para Ele, de Peter Shaffer

2001
Um Olho Para Toda Gente, de Peter Shaffer

2003
Oh Que Ricos Dias, de Samuel Beckett

2004
O Mocho e a Gatinha, de Bill Manhoff
Lendas do Mar, de José Jorge Letria
A Casa da Boneca, de Henrik Ibsen

2005
Paris É Uma Miragem, de John Godber
Antes de Começar, de Almada Negreiros

2006
As Vampiras Lésbicas de Sodoma, de Charles Busch
 
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«Sobre o lado esquerdo» (XXV)

2005-06-14
O AMOR

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.

A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.

A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.

A marcar sobre os teus flancos
o itinerário da espuma.

Assim é amor: mortral e navegável.

Eugénio de Andrade
 
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«A lentidão da imagem» (VIII)

2005-06-13


Eugénio de Andrade
(1923-2005)


fotografia de Eduardo Gageiro


 
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Notícias (CNC)

2005-06-05
Comemorações dos 60 anos do Centro Nacional de Cultura

6 de Junho de 2005

Evocação da fundação da Casa da Comédia e da memória de Fernando Amado. Numa homenagem merecida a Fernando Amado, destacada figura do Teatro português do século XX, esta evocação terá uma primeira abordagem onde serão discutidas temáticas subordinadas ao pensamento de Fernando Amado e ao movimento teatral do século XX em geral. Numa outra vertente mais teatral, serão feitas leituras de excertos de algumas peças de Fernado Amado - “A Caixa de Pandora”, “O Iconoclasta”, “Caiu um Anjo” e “O Livro” - bem como a representação integral da peça “O Ladrão”.O Centro Nacional de Cultura conta com a participação de Augusto Sobral, Clara Joana, Fernanda Lapa, Glória de Matos, Irene Cruz, Isabel Ruth, João d’Ávila, José Luís de Matos, Manuela de Freitas, Maria do Céu Guerra, Norberto Barroca e Teresa Amado.

Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz


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«Sobre o lado esquerdo» (VII)




Fernando Amado (1899-1968)



in Programa da Temporada Inaugural de A Casa da Comédia, Lisboa, VII-1963

Perguntarão: Qual a doutrina estética? Qual a escola preferida?
Gostaríamos de responder à letra, de maneira peremptória, mas receamos ter de confessar que não temos doutrina estética nem escola preferida. A nossa actividade quanto à escolha de peças, critério de encenação e problemática contemporânea, não ficará sujeita às correntes intelectuais mais ou menos triunfantes mundo fora. Somos neste aspecto – dizemo-lo quase com vergonha – inacreditavelmente livres.


Fernando Amado
 
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Notícias (e-Cultura.pt)

2005-06-04
ARTES DO ESPECTÁCULOREGRESSÃO, ESTRUTURAÇÃO, LIBERDADE ARTÍSTICA

Encontro sobre "As Artes do Espectáculo e o Serviço Público"

O Serviço Público nas Artes da Cena já teve um horizonte: quando houve uma política de convergência com a Europa, centrada também na cultura. Foz Côa foi então um símbolo propulsor, os Centros Regionais das Artes do Espectáculo avançaram – onde é que essa “rede” hoje tece a sua malha? - e pela primeira vez se afirmou um Teatro Nacional (TNSJ) com um programa de verdadeiro Centro Dramático. Noutras áreas, como o cinema ou o livro, verificou-se uma política de expansão. O país colocava como prioridade da sua modernização o que apenas fora tema de rituais de ocasião: a cultura e as artes.
A cultura artística descobria-se economia, emprego e buscava um novo ordenamento nacional, estruturante da nossa identidade, não já como perfil de um “modo de ser português”, mas como criação de uma “nova alma” fermentada no melhor da nossa tradição e reinventada em diálogo com a arte contemporânea, europeia e cosmopolita - no seu melhor, claro.
Entretanto o horizonte enegreceu. O país regrediu e com ele a cultura. Nos três anos da anterior maioria as Artes da Cena perderam o rumo, instalou-se a catalepsia. Os prazos deixaram de ser para cumprir, a legislação funcionou como elemento repressor e complicativo, os júris agiram como poderes e os jurados desconheciam o que julgavam, o acompanhamento e a avaliação dos projectos foi nulo, os apoios sustentados confundiram-se com os pontuais e não surgiu uma única proposta estruturante do que quer que fosse. O futuro colapsou.
Na situação actual, o Serviço Público nas Artes da Cena resulta de uma perversão global: o Estado alimenta um sector e obtém dele esse “serviço” em condições de verdadeiro atropelo à legalidade constitucional. A estabilidade é uma miragem, os salários são baixos quando existem, as estruturas débeis, o “gratuito artístico” (isto é, aquilo que sendo trabalho não é pago, como muitas vezes acontece com o trabalho de encenação, cenografia, dramaturgia, tradução, etc.) mantém os criadores no limiar da sobrevivência. O Estado comporta-se como um patrão que aposta na desqualificação e no trabalho ilegal, nos baixos salários, apenas lhe interessa o controle fictício dos programas atabalhoadamente contratualizados.
A Europa está de novo mais distante. Como recuperar o tempo perdido?
Para quando um país ordenado no domínio das Artes da Cena, possuidor de uma larga minoria envolvida com os temas da modernidade, da tradição, da identidade e das problemáticas estéticas e puramente polémicas? E não estamos a falar de uma minoria tão insignificante como isso: dados do INE relativos a 2003 falam de um milhão e trezentos mil espectadores, só no teatro. É surpreendente.
Estas são as grandes interrogações que agora se recolocam. Por detrás delas está a velha questão do um por cento para a cultura que, sendo uma percentagem mínima do Orçamento de Estado, continua tão mítica como um novo ordenamento cultural.
O Encontro agora promovido pelo Centro Nacional da Cultura e pela Plataforma das Artes do Espectáculo, pretende não só a recolocação destes problemas na ordem do dia, mas a construção de um projecto alternativo - de que esta iniciativa é um primeiro passo - à situação bloqueada e involutiva que, de facto, se vive nestas áreas em Portugal.
Sabendo que a “arte é pedagógica enquanto arte e não como pedagogia” a nossa intenção é ajudar a planificar a generalização de uma “arte elitária para todos”.


P R O G R A M A

09h30 - Acolhimento dos participantes
10h00 - Artes, Cultura e Património, Novos HorizontesGuilherme d'Oliveira Martins
Avaliações e Cruzamentos para um desenvolvimento sustentado da música em Portugal e da criação musical em particularMiguel Azguime
Impasse nas Artes do EspectáculoFernando Mora Ramos
11h00 - Café
11h20 - DebateModerado por Maria do Céu Guerra
13h00 - Almoço
14h30 - Cidade, Arquitectura e Práticas Espectaculares, o lugar dos teatrosJosé António Bandeirinha
A situação da dança em PortugalVasco Wellenkamp
Sector Público e Sector PrivadoRui Vieira Nery
15h50 - Café
16h10 - DebateModerado por José Carlos Faria
18h00 - Encerramento
 
posted by CTC at 10:04, |